Nota do Movimento Passe Livre
O Movimento Passe Livre vem manifestar nacionalmente apoio à luta contra o aumento de passagens em Florianópolis. Recorrente há anos por todo o Brasil, tal luta também se insere em nossa busca por um transporte realmente público. Nos solidarizamos portanto não só com o MPL-Floripa, mas com toda a população da cidade que resistirá a esse aumento. Segue abaixo nota publicada por eles:
Passados os primeiro dias de protestos contra o mais recente aumento nas tarifas de ônibus, demonstrando mais uma vez a disposição da população em resistir aos mandos e desmandos da prefeitura e de empresários do setor, a Secretaria de Segurança Pública, na figura de Ronaldo Benedet, procurou o Movimento Passe Livre para estabelecer um canal de negociação.
Dito isso, o Movimento Passe Livre vem a público afirmar que não é entidade representativa do povo e dos estudantes e que, portanto, não fala em nome de ninguém a não ser do próprio movimento. A negociação é possível sim, e está sendo travada nas ruas pela população, com os seguintes termos: a completa e imediata redução das tarifas de ônibus.
O Movimento Passe Livre enxerga a política destinada ao transporte como a mesma que resultou nos episódios recentemente desvendados pela Operação Moeda Verde. Trata-se de um projeto de cidade destinado aos grandes empresários, em detrimento dos direitos e do bem-estar da imensa maioria da população. E, caso este projeto não seja redefinido, veremos mais capítulos desta Revolta a cada ano que passa.
É urgente uma reviravolta no modelo de organização da cidade, e, neste caso específico, no transporte coletivo.
O Movimento Passe Livre exige e defende que:
1) o transporte seja organizado e gerido fora da iniciativa privada;
2) os custos do sistema não sejam pagos pela população que usa o transporte, mas por quem se beneficia dele, aplicando o modelo de *TARIFA ZERO*;
3) a prefeitura cumpra sua promessa de municipalizar a Cotisa, podendo, assim, reduzir automaticamente cerca de 10% da tarifa.
Por fim, o Movimento Passe Livre acredita que a Secretaria de Segurança Pública deve se redimir das ações da Polícia Militar cometidas na noite de segunda-feira, ao lançar bombas contra estudantes dentro dos limites da UFSC; e, também, em relação às declarações do promotor de Justiça Alexandre Abreu, que recomendou à Polícia Militar executar prisões em massa de manifestantes durante bloqueios de ruas, para impetrar ações por dano moral coletivo. A solução do cassetete não pode ser tolerada, e, além do mais, é ineficiente. Quanto mais batem, mais forte ficamos.
Movimento Passe Livre, 30 de maio de 2007
